Correia transportadora rasgando na lateral: onde está o erro?

Atualizado em 21/10/2026 por Bruno Ferreira

Correia transportadora rasgando na lateral

Quando uma correia transportadora começa a rasgar na lateral, desgastar somente uma das bordas ou apresentar fios e lonas expostos, dificilmente o problema está acontecendo sem motivo.

Na maioria das situações, o dano lateral é consequência de alguma condição do próprio transportador: correia trabalhando fora de centro, roletes com problema, estrutura desalinhada, material acumulado, carregamento incorreto ou até uma correia inadequada para aquela aplicação.

O erro comum é olhar apenas para a parte rasgada e concluir que a correia é de baixa qualidade.

Trocar a correia sem descobrir por que a borda está sendo atacada pode fazer com que a correia nova apresente exatamente o mesmo problema pouco tempo depois.

Por isso, quando a correia transportadora está rasgando na lateral, o diagnóstico deve começar pelo local onde o desgaste aparece e pelo comportamento da correia durante a operação.

O que significa quando a lateral da correia começa a desgastar?

A borda de uma correia transportadora não deveria trabalhar constantemente encostando na estrutura.

Ela deve permanecer centralizada sobre os roletes e tambores, respeitando a trajetória prevista no projeto do transportador.

Quando a lateral começa a apresentar:

  • desgaste irregular;
  • cortes;
  • borracha arrancada;
  • borda desfiando;
  • lona exposta;
  • pequenas trincas que aumentam progressivamente;
  • desgaste muito maior de um lado do que do outro;

é importante procurar a causa antes que o dano evolua.

Uma pequena região deteriorada pode se transformar em um rasgo maior se continuar entrando em contato com uma estrutura metálica, rolete travado, guia mal posicionada ou outro ponto de interferência.

1. Desalinhamento é uma das primeiras coisas que devem ser verificadas

Se a correia está sendo “comida” sempre do mesmo lado, o alinhamento merece atenção imediata.

Uma correia desalinhada começa a sair da trajetória central e se aproximar da estrutura lateral do transportador.

Dependendo da instalação, a borda pode tocar continuamente em:

  • perfis metálicos;
  • suportes;
  • guias;
  • chapas;
  • parafusos;
  • saias laterais;
  • estruturas próximas aos roletes.

O contato contínuo funciona como uma abrasão localizada.

A correia pode até continuar transportando normalmente durante algum tempo, mas a lateral vai ficando cada vez mais fina.

Por isso, não basta cortar a parte danificada ou fazer um reparo na borda.

É necessário descobrir por que a correia está puxando para aquele lado.

Entre as possíveis causas estão:

  • roletes fora de posição;
  • estrutura desnivelada;
  • tambor desalinhado;
  • material entrando fora do centro;
  • acúmulo de produto em roletes ou tambores;
  • diferença de tensão;
  • alterações na estrutura do transportador.

Quando existem vários componentes envolvidos, vale analisar a compatibilidade entre correias transportadoras e equipamentos, porque correia, roletes, tambores, raspadores, guias, velocidade e carregamento precisam trabalhar como um único sistema.

2. Roletes travados podem destruir a borda da correia

O rolete deveria girar livremente enquanto sustenta e direciona a correia.

Quando trava, apresenta desgaste excessivo ou trabalha fora da posição correta, esse contato deixa de acontecer como deveria.

Em vez de rolar, a correia pode começar a deslizar sobre uma superfície praticamente parada.

Isso gera atrito.

Dependendo da posição do rolete, esse desgaste pode ocorrer justamente próximo à lateral.

Além do rolete completamente travado, observe também:

  • rolamentos com dificuldade de giro;
  • roletes tortos;
  • suportes deformados;
  • roletes desalinhados;
  • acúmulo de material sobre a superfície;
  • folgas excessivas;
  • roletes que deixaram de apoiar corretamente a correia.

Um único componente problemático pode criar um ponto de desgaste que se repete milhares de vezes durante a operação.

Se existe suspeita nessa região, veja também o conteúdo específico sobre roletes para correia transportadora, onde a Global Belt explica a função dos roletes de carga, retorno, impacto e autoalinhadores e a relação deles com a vida útil da correia.

3. A estrutura do transportador pode estar fora de esquadro

Nem sempre o problema está em uma peça isolada.

Em alguns transportadores, a própria estrutura perdeu alinhamento.

Isso pode acontecer depois de:

  • intervenções de manutenção;
  • substituição de componentes;
  • impactos;
  • movimentações da estrutura;
  • deformações;
  • alterações realizadas ao longo dos anos;
  • montagem inadequada.

Se diferentes conjuntos de roletes estiverem posicionados de forma irregular, a correia pode receber pequenas forças laterais sucessivamente.

O resultado é uma tendência constante de deslocamento.

Um detalhe importante é observar onde o problema começa.

Se a correia trabalha centralizada durante vários metros e, a partir de determinado ponto, começa a caminhar lateralmente, existe uma boa possibilidade de a origem estar naquela região ou pouco antes dela.

Esse tipo de observação costuma ser mais útil do que simplesmente tentar corrigir a correia no ponto onde ela finalmente encosta na estrutura.

4. Material entrando fora do centro também pode empurrar a correia

O carregamento influencia diretamente o comportamento do transportador.

Se minério, brita, grãos, resíduos, areia ou outro material atingir constantemente um dos lados da correia, a distribuição de peso fica desigual.

Em vez de a carga ficar centralizada, ela passa a exercer mais influência em uma lateral.

Dependendo da velocidade, vazão e configuração do transportador, isso pode contribuir para o desalinhamento.

Por isso, quando existe desgaste de borda, observe também:

  • posição do chute;
  • direção do fluxo;
  • altura da queda;
  • distribuição da carga;
  • vazão;
  • existência de material acumulado nas laterais.

A correia pode estar corretamente instalada e ainda assim apresentar comportamento irregular porque está sendo alimentada de maneira inadequada.

5. Excesso de material pode levar a problemas na lateral

Outro cenário comum é trabalhar constantemente muito próximo ou acima da capacidade prevista para o transportador.

Quando existe material demais sobre a correia, a carga pode se espalhar excessivamente em direção às bordas.

Isso aumenta o risco de derramamento, acúmulo nas laterais e interferência com componentes do transportador.

O material derramado também pode se acumular em regiões críticas, atingir roletes e modificar o comportamento da correia.

Se existe material constantemente caindo pelas laterais, vale analisar o problema separadamente no conteúdo sobre como reduzir o derramamento de material na correia transportadora.

O ponto importante é entender que corrigir somente a borda da correia não resolve um carregamento inadequado.

6. Acúmulo de material pode alterar o caminho da correia

Correia transportadora rasgando na lateral

Poeira, minério fino, grãos quebrados, resíduos e outros materiais podem aderir a componentes do transportador.

Quando esse acúmulo acontece em um tambor ou rolete, o diâmetro efetivo daquela superfície deixa de ser uniforme.

Imagine uma camada de material concentrada apenas de um lado de um tambor.

A correia já não está mais apoiada da mesma forma em toda a largura.

Com o tempo, isso pode contribuir para o deslocamento lateral.

É importante verificar especialmente:

  • tambores;
  • roletes de retorno;
  • região de carregamento;
  • parte inferior da correia;
  • raspadores;
  • pontos de transferência.

Por isso a limpeza não deve ser vista apenas como uma questão estética.

Em determinados sistemas, acúmulo de material pode interferir diretamente no alinhamento e no desgaste.

7. Cuidado com guias laterais usadas como solução permanente

Quando a correia começa a sair para um lado, uma reação comum é tentar impedir fisicamente o deslocamento usando uma guia lateral.

A guia pode até impedir temporariamente que a correia avance mais.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita:

por que ela está tentando sair do centro?

Se a causa não for corrigida, a guia pode virar exatamente o ponto responsável por consumir a borda.

A correia permanece pressionada contra aquele componente durante horas de operação.

O resultado pode ser:

  • aquecimento;
  • abrasão;
  • corte da borracha;
  • exposição da carcaça;
  • desfiamento;
  • perda progressiva de largura.

Guias e dispositivos de alinhamento precisam ser corretamente dimensionados e utilizados dentro da função prevista para o sistema, e não simplesmente servir como barreira para uma correia permanentemente desalinhada.

8. A saia de vedação também pode desgastar a lateral

As saias são importantes para conter o material principalmente na região de carregamento.

Mas uma saia mal ajustada pode causar atrito desnecessário.

Se estiver muito pressionada ou instalada de forma irregular, pode atacar uma região específica da correia continuamente.

Isso merece ainda mais atenção quando o desgaste aparece sempre próximo ao ponto de alimentação.

Observe:

  • pressão da saia;
  • distância entre componentes;
  • desgaste da própria vedação;
  • posição do material;
  • sinais de aquecimento;
  • marcas de atrito na cobertura.

A vedação deve ajudar a controlar o material sem criar um novo problema para a correia.

9. A correia escolhida pode não ter a carcaça adequada

Existe também outra possibilidade: o transportador está funcionando dentro de condições razoáveis, mas a correia não foi corretamente especificada para aquela aplicação.

A estrutura interna da correia influencia sua resistência mecânica.

Dependendo da operação, precisam ser considerados fatores como:

  • tensão de trabalho;
  • carga;
  • granulometria;
  • impacto;
  • abrasividade;
  • largura;
  • comprimento;
  • número de lonas;
  • classe da carcaça;
  • espessura das coberturas;
  • diâmetro das polias;
  • condições ambientais.

Uma correia dimensionada para uma aplicação leve não deve ser tratada como equivalente a uma correia destinada ao transporte contínuo de materiais pesados, abrasivos ou com forte impacto.

Por isso, quando uma correia apresenta danos recorrentes mesmo depois das correções mecânicas do transportador, vale revisar sua especificação.

No catálogo de correias transportadoras da Global Belt é possível consultar classes EP, número de lonas, carcaças, coberturas e outras informações técnicas importantes para essa avaliação.

Como saber se o problema é mecânico ou de especificação da correia?

Um bom diagnóstico começa observando o padrão do dano.

A lateral está desgastando somente de um lado

Comece procurando desalinhamento, estrutura fora de posição, alimentação descentralizada, roletes e tambores.

O desgaste aparece sempre no mesmo ponto do transportador

Inspecione cuidadosamente aquela região e os componentes imediatamente anteriores.

Pode existir uma interferência localizada.

As duas bordas apresentam danos

Verifique largura da correia, estrutura disponível, guias laterais, carregamento, estabilidade do sistema e especificação.

A borda apresenta cortes pontuais

Procure elementos metálicos, parafusos, chapas, material preso ou objetos que possam entrar em contato com a correia.

A correia nova começa a apresentar o mesmo problema da anterior

Esse é um forte sinal de que substituir somente a correia não eliminou a causa.

É necessário investigar o transportador.

A borda já está desfiando. Dá para continuar trabalhando?

Depende do nível e da origem do dano.

Uma pequena marca superficial é diferente de uma correia que já apresenta perda significativa de borracha, carcaça exposta ou progressão do rasgo.

O mais importante é não avaliar apenas o tamanho atual do defeito.

É preciso avaliar se a causa continua presente.

Se a lateral continua tocando em uma estrutura metálica, por exemplo, o desgaste continuará aumentando enquanto o equipamento operar.

Quando a carcaça começa a ficar exposta, a situação merece ainda mais atenção porque a estrutura interna da correia deixa de estar adequadamente protegida.

A decisão entre reparo e substituição deve considerar extensão do dano, profundidade, carcaça, tensão de trabalho, aplicação e condição geral da correia.

Antes de trocar a correia, faça esta verificação

Se uma correia transportadora está rasgando na lateral, uma sequência lógica de diagnóstico é:

1. Descubra onde começa o desgaste.
Não olhe apenas para onde o rasgo terminou.

2. Observe para qual lado a correia está caminhando.
Isso ajuda a identificar o padrão do desalinhamento.

3. Confira os roletes.
Procure travamentos, desalinhamentos, desgaste e acúmulo.

4. Confira os tambores.
Observe alinhamento, limpeza e condição da superfície.

5. Analise a estrutura.
Veja se existe deformação, desnivelamento ou algum elemento entrando na trajetória da correia.

6. Observe o carregamento.
A carga deve chegar de forma controlada e preferencialmente centralizada.

7. Procure pontos de contato.
Marcas na lateral normalmente ajudam a encontrar onde a correia está raspando.

8. Avalie a especificação da correia.
Carcaça, número de lonas, cobertura e demais características precisam ser compatíveis com a operação.

Essa inspeção deve ser realizada com o equipamento em condição segura para intervenção e seguindo os procedimentos de segurança adotados pela operação.

Manutenção preventiva ajuda a encontrar o problema antes do rasgo

Um dos maiores benefícios da inspeção periódica é perceber pequenas alterações antes que elas se tornem falhas graves.

Uma borda começando a apresentar marcas, um rolete com dificuldade de giro ou uma correia que gradualmente deixa de trabalhar centralizada são sinais que podem ser percebidos antes de ocorrer um rasgo significativo.

Uma rotina de manutenção da correia transportadora deve incluir observação de desgaste, alinhamento, tensionamento, limpeza e condição dos componentes que trabalham diretamente com a correia.

Isso é particularmente importante em operações contínuas, nas quais uma falha inesperada pode significar horas de produção parada.

Trocar a correia sem corrigir a causa pode repetir o problema

Este é provavelmente o ponto mais importante.

Se uma correia rasgou porque estava raspando em uma estrutura, a nova também poderá rasgar.

Se rasgou porque um rolete estava travado, substituir apenas a correia não resolve.

Se o carregamento empurra constantemente a correia para uma lateral, o problema continuará existindo.

E se a carcaça escolhida não corresponde às condições reais da aplicação, a vida útil pode continuar abaixo do esperado mesmo com o equipamento bem alinhado.

Por isso, diante de desgaste lateral recorrente, pense no conjunto:

correia + roletes + tambores + estrutura + carregamento + tensão + material transportado.

É essa combinação que determina o comportamento da correia durante a operação.

Qual correia usar para evitar novos rasgos?

Não existe uma resposta única baseada apenas no fato de a correia ter rasgado.

Primeiro deve ser descoberta a causa.

Depois disso, a especificação da nova correia pode considerar as condições reais do transportador.

Informações importantes incluem:

  • material transportado;
  • granulometria;
  • abrasividade;
  • peso e vazão;
  • largura necessária;
  • comprimento;
  • velocidade;
  • inclinação;
  • tensão de trabalho;
  • diâmetro dos tambores;
  • quantidade de lonas;
  • tipo de cobertura;
  • presença de óleo, calor ou umidade;
  • intensidade do impacto no carregamento.

Esses dados ajudam a evitar a escolha de uma correia apenas pela medida.

Para comparar construções e informações técnicas, consulte o catálogo técnico de correias transportadoras.

Correia transportadora rasgando na lateral exige encontrar a causa, não apenas reparar a borda

Quando a lateral de uma correia começa a ser consumida, o dano visível normalmente é somente a consequência.

O verdadeiro problema pode estar alguns metros antes.

Pode ser um rolete travado.

Pode ser um tambor desalinhado.

Pode ser uma estrutura fora de posição.

Pode ser excesso de material.

Pode ser um carregamento descentralizado.

Ou pode existir incompatibilidade entre a correia escolhida e as condições reais do transportador.

Encontrar essa causa antes de instalar uma correia nova evita transformar a substituição em um ciclo de falhas repetidas.

A Global Belt trabalha com correias transportadoras para diferentes aplicações industriais e pode auxiliar na especificação de acordo com as características do equipamento, do material transportado e da operação.

Antes de solicitar uma nova correia, reúna, sempre que possível, informações como largura, comprimento, classe, número de lonas, material transportado, condições de operação e fotos do equipamento.

Quanto mais precisa for a análise da aplicação, maior a possibilidade de especificar a correia adequada e evitar que o mesmo problema volte a acontecer.

Sobre o autor | Website

Bruno Ferreira atua na produção de conteúdos técnicos voltados ao setor industrial, com foco em correias transportadoras, movimentação de materiais e manutenção industrial. Na Global Belt, acompanha temas relacionados à aplicação, especificação e desempenho de correias em diferentes segmentos da indústria, sempre com base em informações técnicas e na experiência da empresa no mercado desde 1975.

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